O Canto do Papão Lusitano
Fui ontem ao teatro, mas não fui ver uma peça qualquer.
O Canto do Papão Lusitano não é, de todo, o tipo de peça em que chegamos, sentamo-nos no nosso lugar e assistimos a uma representação do início ao fim.
Este tipo de teatro convoca o espetador como parte do espetáculo, imersão do princípio ao fim.
Tudo começa num palco às escuras para o qual somos convidados a subir. Lá somos posicionados à volta de uma grelha. Uma voz profunda ecoa e enche o nosso interior com algo profundamente sombrio.
Depois assistimos a uma parte do espetáculo que se passa debaixo do palco para o qual temos visão através de uma grelha. O que vemos é desconcertante. Um conjunto de pessoas que passeia desenfreadamente interpretando uma série de frases que ouvimos.
Mas afinal do que se trata o Canto do Papão Lusitano?

Retrata o colonialismo português, não da nossa perspetiva de colonizadores mas na visão dos africanos.
É algo profundo e perturbador que nos deixa embaraçados com a nossa nacionalidade. Não que eu não tenha orgulho em ser portuguesa...
A peça, escrita por Peter Weiss, celebra este ano o seu 50.º aniversário da estreia mundial em Estocolmo.
O Papão é uma personificação da figura do Presidente do Conselho, Oliveira Salazar. O grupo Teatro da Garagem pretende, ao mesmo tempo, representar todos os "papões" da atualidade.
O projeto surgiu em parceria com a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. São 10 os alunos que participam na peça lado a lado com atores profissionais desta companhia de teatro.
Prometo não desvendar mais nada.
A peça está em cena até este domingo, 19 de março, ás 21h30 no Teatro Taborda em Lisboa.
Conselho: levem roupa confortável!
